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Segurança no atelier de joalharia

Cortei o dedo a fazer uma coisa parva e resolvi fazer um poster para me lembrar a ter mais cuidado.

Mas em vez de me limitar a partilhar uma imagem divertida achei que esta era uma boa oportunidade de falar de segurança no trabalho.

A joalharia utiliza muitas ferramentas com a capacidade de provocar danos físicos.

Alguns efeitos dos acidentes são imediatos:

  • os martelos são óptimos a esmagar dedos,
  • uma serra que escorrega corta num instante,
  • uma distração a lidar com metal quente dá direito a uma queimadura dolorosa

Outros só se notam ao fim de algum tempo. Podemos causar danos sérios nos pulmões e o risco de desenvolver cancro ao:

  • respirar os vapores dos ácidos e outros químicos
  • respirar fumos provocados pela soldadura
  • inalar partículas causados ao polir ou lixar (conchas e pérolas são particularmente perigosas)

A absorção pela pele de ácidos, resinas e outras substâncias também pode vir a desenvolver problemas de saúde sérios. Alguns produtos parecem inofensivos para a pela mas são absorvidos e atacam os ossos, por exemplo.

Estes danos de saúde podem demorar anos a manifestar-se mas têm consequências potencialmente mortais e de redução da qualidade de vida, por isso convém desde o início ter alguns cuidados de segurança quando trabalhamos.

Óculos de protecção

Os óculos de protecção são a peça de segurança mais básica. Devem ser usados sempre que trabalhamos com motores, seja o motor de suspensão, Dremel, polidora ou berbequim.

Os óculos impedem partículas de voar para os olhos e também protegem os olhos quando uma ferramenta rotativa se parte e voa em direcção à nossa cara.

Máscaras

Algo que custa um bocadinho a habituar mas que deveria ser usado sempre é uma máscara.

O tipo de máscara varia conforme o tipo de trabalho.

Para limar, lixar e polir basta uma máscara de pó que são as mais básicas.

Para soldar ou trabalhar com químicos, convém passar para uma máscara respiratória com os filtros adequados, que devem ser mudados com a frequência indicada pelo fabricantes ou quando começamos a sentir o cheiro dos fumos.

Luvas

Sempre que manipulamos químicos – seja o ácido de branqueamento, o Fígado de enxofre, resina e até os lubrificantes usados na manutenção e limpeza das ferramentas – devemos usar luvas.

O tipo de luvas depende do material que vai ser manipulado. Quaisquer luvas finas de plástico – seja latex, vinil ou outro – servem quando o objectivo é apenas manter as mãos limpas como é o caso de lidar com lubrificantes.

Ao trabalhar com resina, por outro lado, o latex deve ser evitado porque em vez de servir de barreira serve de condutor entre a resina e a pela. Luvas de vinil são preferíveis.

Para lidar com ácidos e produtos corrosivos são necessárias luvas mais grossas e específicas para este efeito.

Por outro lado, quando trabalhamos com o motor de suspensão ou polidora não devemos usar luvas porque estas podem ficar presas no motor e levar-nos a mão atrás, causando acidentes graves.

Sapatos fechados

O atelier não é o sítio ideal para usar sandálias ou chinelos. Um martelo ou metal quente pode cair ao chão e acertar-nos num pé. É um acidente fácil de evitar tendo o cuidado de usar calçado fechado.

Protectores auriculares

Quando martelamos ou realizamos outra actividade que produza muito ruído, é boa ideia usar protectores auriculares. O barulho pode causar danos de audição, por vezes permanentes.

Óculos de soldar

Se usarmos um maçarico só de gás propano ou butano, a luz causada pela chama não tem uma intensidade suficiente para ser problemática. No entanto, para gases mais quentes ou quando usamos uma mistura de gás e oxigénio, é essencial usar óculos de soldar para proteger os olhos. Garanto que dão logo por isso quando se esquecerem e passarem o resto do dia a ver uma mancha branca em todo o lado.

Avental ou bata

Isto é mais para proteger a roupa, partindo do princípio que ninguém trabalha de biquini, mas também pode ser uma camada de protecção extra no caso de metal quente nos cair da pinça para o colo. Acerta no avental e com sorte temos tempo de reagir antes de queimar uma perna

No entanto, a forma mais eficaz de evitar este tipo de acidente é trabalhar com a gaveta da bancada sempre aberta para recolher não só a limalha mas também qualquer metal ou ferramenta que caia acidentalmente.

Atilhos de Cabelo

Quem tem cabelo comprido deve usá-lo sempre preso, especialmente ao trabalhar com maçarico ou os motores. Tal como as luvas, há o risco do cabelo ficar preso no motor e causar danos grave e o risco de pegar fogo ao soldar.

Para além de todos estes conselhos de segurança há mais dois pontos que considero essenciais.

  • Nunca polir correntes com um motor. Têm tendência para ser apanhadas pelo motor e não só ficam estragadas como se tornam uma arma rotativa capaz e fazer grandes feridas nas nossas mãos e cara. É preferível usar um tambor rotativo ou um polidor vibratório.
  • Sempre que possível utilizem as ferramentas em vez dos dedos. Às vezes parece que o dedinho é mais prático mas basta qualquer coisa escorregar e lá vem mais um corte. Ou quando estamos a começar a soldar por vezes esquecemo-nos que o metal está quente e vamos lá com o dedo. É preciso lembrar que as pinças e os alicates servem para estas tarefas, em vez dos dedinhos.

Infelizmente, apesar de saber tudo isto e ter cuidado, ocasionalmente os acidentes acontecem. É boa ideia ter um kit de primeiros socorros perto da bancada e talvez alguns avisos para nos lembrar a prestar atenção, especialmente quando estamos a começar.

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