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Brincos com cravação de 8 garras e aro de escape

Esta peça de joalharia tinha dois objectivos de aprendizagem: A cravação de 8 garras e o espigão com aro de escape.

Como sempre, comecei por escolher as pedras. Tinha comprado um par de topázios amarelos iguais na última feira de minerais e a sua forma quadrada era perfeita para a cravação de 8 garras.

Depois de vários esboços, cheguei ao desenho da peça que queria fazer.

Fiz a base da cravação com um fio redondo, segundo o método usual: o fio contorna a pedra de forma a ficar perto do topo mas sem se ver de cima.

Depois de soldar esse aro da base, montei as 8 garras à sua volta, sobre plasticina.

Coloquei mais um rolo de plasticina à volta da zona onde as garras tocam no aro da base (zona onde iria depois soldar). Por cima de tudo isso deitei gesso. Aliás, esta peça levou várias doses de gesso para prender e estabilizar os diversos elementos, permitindo soldá-los sem se mexerem. É um método muito usado quando o rigor é importante.

Quando o gesso estava seco, tirei o rolo de plasticina e fiquei com espaço para soldar as garras à base.

Com os fios soldados, cortei fora o excesso e soldei um aro mais pequeno para proteger o bico da pedra. A cravação estava terminada.

Cortei as várias chapas que formavam o desenho do brinco e dei-lhes volume no embutidor. Se repararem, cada chapa tem um número riscado com agulha para não me esquecer da ordem de montagem.

Montei os brincos novamente sobre a plasticina e cobri com gesso.

Soldei as três chapas de cada brinco só na ponta para poder criar níveis diferentes. Uma das preocupações a ter quando se faz uma peça de joalharia é criar volume. Uma peça com vários níveis é sempre mais interessante do que uma completamente plana.

Com as pontas soldadas, cortei várias secções de fio quadrado para servirem de pilar de sustentação para cada um dos níveis. Isso dá mais estabilidade à peça.

Chegada a altura de introduzir a cravação, foi necessário fazer um furo na chapa por onde iria passar a serra.

Marquei o quadrado aproximado equivalente ao tamanho da cravação e serrei. É importante serrar sempre uma forma ligeiramente mais pequena do que o pretendido e depois limar até atingir o tamanho certo. Se ao serrar se tira demasiado metal e o encaixe fica muito largo, é muito mais difícil de corrigir.

Limar o quadrado até a cravação encaixar perfeitamente justa foi o trabalho mais demorado porque é preciso estar constantemente a parar e experimentar se já está bom.

Voltei a cobrir com gesso para soldar a cravação às chapas do brinco.

Ao soldar é importante colocar corrector nas soldaduras anteriores, para evitar que o trabalho anterior se estrague. Também é muito importante apontar o calor apenas para a chapa porque os fios da cravação aquecem mais depressa e podem derreter se levarem com o fogo directo.

Havia um ponto ou outro em que as garras não tocavam na chapa por isso foi necessário acrescentar uma pequena ponte de prata que depois foi limada. Como a curva da chapa não permitia o acesso da lima naquela zona, usei uma ponta diamantada para gastar o excesso.

Com as cravações soldadas, chegou a hora de fazer as batas. A bata é uma parede que dá altura à peça. Neste caso a bata foi apenas parcial, levantando apenas a zona do bico.

Depois de limar as chapas da bata de forma a que encaixassem perfeitamente na parte de trás do brinco, cobri novamente com gesso, deixando o bico de fora para soldar. Com o bico “apontado” com solda, tirei o gesso e soldei o resto. Tive o cuidado de colocar corrector na primeira soldadura para que a bata não deslizasse para fora do sítio quando o resto da solda começasse a correr.

Com a bata soldada, chegou a hora de fazer os aros de escape dos brincos. Para isso comecei por soldar um espigão vertical na parte de trás de cada brinco, paralelo às garras. Depois fiz um fio quadrado de 18mm, dobrei em L e espalmei as pontas com um martelo (uma na horizontal e outra na vertical).

Na foto acima vemos o aro do brinco e um gonzo, semelhante ao que se usa nas pregadeiras, para fazer dobradiça. É necessário furar ambas as pontas espalmadas do aro: um furo na base para encaixar no gonzo e outro na ponta mais longa para criar a abertura onde entra o espigão.

A base do aro do brinco tem de ser arredondada para rodar dentro do gonzo. Com o aro temporariamente no sitio, é mais fácil perceber onde deve ser feito o furo para acomodar o espigão (visto aqui na vertical).

A ponta do espigão também tem de ser martelada para espalmar e corta-se um pequeno triângulo para encaixar no aro quando fecha. As medidas têm de ser rigorosas para fazer o click e não se abrir acidentalmente.

O problema maior deste tipo de espigão é que o recorte pode magoar ao passar no furo da orelha.

Antes de colocar a cavilha no aro, faz-se a cravação das pedras e o polimento.

Por fim coloca-se o rebite do aro, apertando com um alicate, e a peça está concluída.

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