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Pulseira de flores

A última peça do primeiro ano do curso de joalharia foi uma pulseira. O exercício consistia em criar uma estrutura rígida que é moldada à forma do pulso e que depois podia ser preenchida com elementos ao nosso gosto.

Escolhi um padrão floral, que desenhei numa tira de papel de tamanho correspondente ao da pulseira antes de enrolar. As contas para a estrutura da pulseira são feitas de forma a que esta meça 16 cm de comprimento, de forma a deixar uma abertura para o pulso passar. Como a minha pulseira tinha 2 cm de altura, precisei de 36 cm de fio de 2mm para fazer a estrutura.

A soldadura é feita numa das pontas, que é a zona menos visível. Depois molda-se a curva, dobrando a estrutura à volta de um cilindro com o tamanho de um pulso. Uma forma ligeiramente oval é normalmente mais confortável do que uma pulseira completamente redonda.

Com a estrutura formada, comecei a desenhar e recortar as folhas em chapa de prata e cobre. Gosto sempre de dar um pouco de cor às peças por isso costumo misturar dois metais.

Com as folhas todas serradas e limadas, criei um pequeno veio central para encaixar o fio que serve de talo da folha. Cortei fio de 1 mm, sempre um pouco mais comprido do que o que iria precisar, para poder fazer correcções, e soldei os fios sobre as folhas.

Cortei também flores de três pétalas às quais fiz um furo central para passar o fio que ficou com dupla função – talo por trás e espigão de suporte para uma pérola à frente.

Com os fios soldados em todas as folhas e flores, comecei a montar os conjuntos de elementos que depois foram soldados à estrutura. Esta parte foi complicada porque a estrutura aquece mais devagar do que os pequenos elementos florais. É preciso proteger as flores e folhas, colocando um bocado de carvão ou tijolo térmico entre os elementos e a chama, deixando em aberto apenas a zona da soldadura.

É também muito importante isolar as soldaduras anteriores com corrector para evitar que a solda volte a correr noutras zonas.

Com a estrutura montada chegou a vez de resolver a parte técnica da pedra central. Criei uma base ligeiramente mais pequena do que a pedra, para que não se veja quando se olha de frente. Furei as paredes e passei fio de 1 mm em zonas onde passam igualmente fios das folhas, de forma a que esses cubram os da estrutura.

Soldei os fios à estrutura da cravação e moldei-os de forma a acompanharem o movimento dos talos das folhas que os iriam esconder. Um deles partiu-se e foi necessário repetir o processo, o que é sempre frustrante.

Soldei então os fios de suporte da cravação à estrutura. As folhas servem de garras, mantendo a pedra no sítio.

Com as soldaduras terminadas, foi altura de polir e depois satinar as folhas e flores, que ficam assim com um aspecto mais natural.

Por fim cravei a pedra e colei as pérolas aos espigões.

Estou bastante orgulhosa desta peça. Já tinha trabalhado com pequenos elementos florais no pendente, mas a pulseira, pelo tamanho, foi mais complicada de soldar sem derreter nada. É preciso uma prática constante para não perder aquele instinto de quando parar de dar calor, quando mexer a chama e quando deixar incidir num ponto até soldar.

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